KMZ ASSOCIADOS

por Kleber B. Ziede

Como administrar a sua empresa em 2016?

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O que esperar de 2016?

Esta é a pergunta para a qual milhares de empresários brasileiros buscam respostas.

Perplexos, os empresários enfrentam a retração do mercado de consumo, a deterioração das finanças públicas, a crise institucional, política e de credibilidade provocada pelos escândalos de corrupção, além do pedido de impeachment da Presidente da República.

Para olharmos à frente, vamos examinar o passado recente.
A gangorra da crise econômica de 2008 se inverteu desfavoravelmente para os países em desenvolvimento e voltou a subir para os países desenvolvidos que fizeram a lição de casa, como os Estados Unidos e poucos países da Comunidade Econômica Européia.

No mergulho para a crise em 2008, os americanos baixaram os juros e lançaram uma série de medidas de incentivo à economia, tal como no Brasil, porém com uma diferença fundamental: lá os estímulos foram controlados e monitorados por um Banco Central realmente independente.

No Brasil, os dirigentes da economia fizeram o seguinte:

• Mantiveram os juros baixos, utilizando os bancos públicos para forçar a oferta barata de juros desalinhados do mercado;

• Estimularam as famílias ao consumo por meio do crédito barato e consignado, que elevou o seu nível de endividamento, desestimulando a poupança;

• Reduziram as alíquotas de impostos para alguns setores da economia, dentre eles o setor automotivo, reduzindo, portanto a receita com a arrecadação federal, porém sem reduzir proporcionalmente o gasto público. Ao contrário, aumentaram deliberadamente os gastos;

• Represaram o reajuste dos preços de produtos e serviços administrados, como combustíveis e energia elétrica;

• Intervieram no setor de energia elétrica, forçando a redução dos preços das tarifas de energia, gerando uma redução artificial à custa do endividamento do setor, tendo que corrigir o erro financiando com recursos públicos as dívidas geradas no segmento;

• Ao longo dos últimos cinco anos, pelo menos, a meta de inflação foi ignorada pelo governo, sinal claro do abandono da política econômica defendida pelo Banco Central;

• Por fim, as operações de investigação deflagradas pela Polícia Federal e pela justiça, abalaram ainda mais a credibilidade de agentes econômicos, políticos e institucionais.

• Culminando esta sequência desastrosa de ações, duas agências de rating rebaixaram a nota do Brasil de grau de investimento para grau especulativo, abalando ainda mais a credibilidade do País e seus dirigentes no mercado internacional.

O resultado destes elementos combinados é o cenário conturbado, no qual empresários, executivos e consumidores precisam tomar decisões.

O que fazer e para onde vamos? Bem, nesta ora precisamos limpar a mente e nos concentrar nos fundamentos reais da economia. Para tanto, compilamos as principais estratégias e orientações que foram definidas ao longo de uma série de trabalhos de Planejamento Estratégico que conduzimos com alguns clientes da KMZ Associados, ao longo do segundo semestre de 2015:

• Empresários e executivos precisam estar ainda mais atentos e focados nos movimento do seu mercado e dos seus clientes. A queda de 3,5% no PIB brasileiro já representa uma que nas vendas de alguns segmentos do comércio entre 10% e 30%.

• O ano de 2016 deverá ser uma continuação de 2015, com um primeiro trimestre bastante conturbado, porém no qual poderemos visualizar com maior clareza o tamanho do estrago na economia em 2015 e no resultado das empresas.

• A queda na atividade em muitos segmentos da economia irá expor com clareza as ineficiências internas das empresas. É o momento de buscar eficiência e produtividade, enxugando custos, reduzindo despesas e otimizando as estruturas de produção e serviços.

• O aumento no nível de desemprego, que deverá se acentuar, e a conseqüente queda na renda real do consumidor médio devem forçar o comércio a intensas promoções. Cuidado com a manutenção das margens de resultado do seu negócio e com os níveis de estoque, para não drenar o seu capital de giro.

• A regra geral é preservar o caixa e redobrar a atenção na análise e concessão de crédito.

• O consumidor, mais seletivo e retraído, deverá migrar para produtos de menor valor e deverá reduzir a freqüência de compras e o nível de consumo de serviços. Empresas bem posicionadas no mercado, com foco no consumidor médio, deverão sentir menores oscilações em seus pedidos, capturando consumidores em processo de substituição de produtos e em busca de preços mais atrativos.

• O comércio tenderá a reduzir ainda mais as compras e fracionar as entregas para não se defrontar com o aumento indesejável de estoques.

• Os fabricantes, por outro lado, tenderão a ser mais seletivos com sua carteira de clientes, evitando vender para quem já está com o crédito abalado, buscando novos clientes para repor aqueles perdidos e negociando prazos para manter o fluxo de pedidos.

• A volatilidade cambial deverá continuar, sinalizando para importadores e exportadores, atenção redobrada no momento de contratar empréstimos ou fechar o câmbio.

• A desvalorização cambial ao longo de 2015 já provocou um estrago nos balanços das empresas importadoras, anulando os resultados e inviabilizando as margens lucro de muitos produtos. A tendência será a substituição de produtos importados por similares nacionais.

• O segmento da agroindústria ainda opera sem muitos percalços, apesar da queda nos preços das commodities agrícolas e da sinalização de redução nas margens de resultado dos produtores de grãos. Os preços do boi gordo e do gado para cria e reposição se mantêm elevados, garantindo bons ganhos para o setor, que deve ficar atendo aos custos de reposição e demais insumos.

• O setor metal mecânico e automotivo deve ter mais um ano amargo. A Queda nas vendas persistirá. A venda de tratores e implementos, também com redução substancial terá da mesma forma, queda nas vendas, tendo em vista o aumento dos juros e a redução no montante financiado por parte dos bancos. A tendência é o agricultor reformar suas máquinas e ampliar a manutenção e consumo de peças de reposição.

• A atual restrição ao crédito para as empresas tende a se ampliar. Os bancos deverão forçar uma redução do seu nível de exposição ao risco de empresas dos segmentos em maior dificuldade atualmente, a exemplo do setor metal mecânico, propondo a quitação de parte dos financiamentos no momento da renovação das operações.

• Esse cenário deverá apresentar muitas oportunidades de fusões e aquisições de empresas em situação difícil e com ativos interessantes. Quem estiver bem capitalizado e posicionado para o crescimento, deverá aproveitar a oportunidade.

• No primeiro semestre de 2016, a pauta político-institucional deverá girar em torno do impeachment da Presidente e do afastamento do Presidente da Câmara dos Deputados. Caso o resultado destas duas demandas atenda ao clamor popular, os anos de 2016 e 2017 deverão ser de transição política e econômica, podendo haver uma estabilização e uma nova retomada dos níveis de confiança dos agentes econômicos, com a conseqüente recuperação ainda tênue da economia em 2017.

• No ano de 2017, especialmente, haverá um rearranjo de políticos e partidos, preparando a disputa político-eleitoral em 2018. Caso o resultado das urnas seja favorável para uma mudança positiva na economia, 2019 deverá ser um ano de recuperação econômica mais intensa.

Até lá, muita cautela, disciplina na gestão do caixa e foco no cliente.

Kleber B. Ziede
Economista e sócio da KMZ Associados

Author: kleberziede

Economista, Pós graduado em Planejamento e Gestão , Pós graduado em e Administração Financeira, Especialista em Governança Corporativa, Sócio Sênior da KMZ Associados

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