KMZ ASSOCIADOS

por Kleber B. Ziede


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Inovação e Produtividade em Tempos de Crise

Há algumas semanas, durante a condução dos trabalhos de Planejamento Estratégico em uma empresa com atuação no segmento agroindustrial, sócios e dirigentes que participavam dos trabalhos promoveram um interessante debate sobre o tema “investir para inovar e buscar produtividade ou segurar os investimentos para enfrentar queda de vendas e aumento de custos”?

Ao longo das discussões, enquanto ideais e ponderações eram selecionadas e ranqueadas, muitos dos temores e inseguranças dos sócios e dirigentes eram expostos de forma indireta e subliminar.

Inobstante o tema central estar sendo abordado e discutido de forma ordenada e produtiva, era visível o despreparo de muitos para o enfrentamento de crises e dificuldade de mercado, de concorrência e de substituição de fornecedores, tendo em vista o segmento onde a empresa atua ter crescido de forma exponencial e ter proporcionado margens bastante atraentes nos últimos anos. Há muito não se vivenciava um cenário diferente de mercado.

Ser empresário é defrontar-se com dilemas e decisões difíceis e importantes todos os dias.  Porém, acima de tudo, ser empresário é assumir riscos devidamente medidos e calculados e não jogar-se às cegas em negócios mal planejados e comandados ao sabor do mercado.

Ao final da etapa de discussão sobre investimentos e inovação, restou, de forma clara e convicta, de que o objetivo deve ser investir em qualidade e produtividade, como forma de buscar eficiência na produção, com menos recursos e com uma equipe de profissionais menor, porém mais qualificada.

Optou-se ainda em buscar novas tecnologias de produção, com investimentos escalonados em cinco anos, como forma de se antecipar à concorrência, cujas decisões, até onde sabemos, são de “colocar o pé no freio”.

Por fim, algumas decisões e ponderações que foram elencadas pelo grupo, e que devem ser objeto de reflexão por empresários e dirigentes de qualquer segmento, no momento atual de nossa economia:

  • “Há muitas noticias inconsistentes e contraditórias no mercado. A maioria está interpretando o cenário com pessimismo e de forma superficial e não enxergam as oportunidades. O mundo está confuso e complicado, mas não vai parar.”;
  • “É o momento de mantermos na equipe os bons e capacitá-los para que sejam ainda melhores. Não podemos manter profissionais sem comprometimento e correr o risco de desmotivar aqueles que são realmente engajados e diferenciados.”;
  • “Temos que ser seletivos nos investimentos. Temos que investir onde há maior retorno em termos de produtividade, redução de custos, menor impacto ambiental e maiores chances de atender bem o nosso cliente. O resto fica para depois.”;
  • “Na semana passada o grupo da qualidade nos informou que fez uma revisão completa nos nossos processos e pouco conseguiram modificar ou aprimorar. Naquele momento me convenci de que temos que inovar radicalmente no processo produtivo, no uso de novos materiais e em novas lideranças na área de produção. Do contrário, teremos mais do mesmo”.

Kleber B. Ziede – Economista e Sócio da KMZ Associados


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Inovação, Eficiência e Produtividade – o desafio das empresas brasileiras na próxima década

O Agronegócio brasileiro tem demonstrado que investimento em tecnologia, aprimoramento profissional e trabalho, são ingredientes fundamentais para o sucesso de uma atividade.

Ao longo dos últimos anos o agronegócio expandiu sua participação no PIB brasileiro, juntamente com o setor de serviços, enquanto o peso da indústria se reduziu.

A questão é: este é um paradigma que foi vencido, pelos setores de serviço e do agronegócio ou foi um espaço deixado pelo próprio setor industrial que não soube manter a posição e lutar contra as mudanças impostas pela economia global?

Ganhos de produtividade, eficiência na utilização de recursos, ampliação da satisfação dos clientes e valorização das pessoas, que são fatores que sempre estiveram na pauta de discussões e agenda de trabalho dos executivos, são, definitivamente, os grandes desafios dos gestores das empresas brasileiras na próxima década, a partir de hoje.

Os ajustes econômicos que certamente virão em 2015, independentemente de quem seja o novo Presidente eleito, já são conhecidos e trarão mais aumento de custos e ineficiência para as organizações como um todo. Assim como são velhos conhecidos os gargalos estruturais, institucionais e legais que dificultam as empresas e os cidadãos a atingirem maiores e melhores estágios de produtividade e bem estar.

Resta aos profissionais e empresários a dura tarefa de maximizar o uso dos seus recursos disponíveis, para tornar suas atividades mais rentáveis e prósperas.

As empresas não poderão suportar aumentos reais de salários, indexados ao salário mínimo ou às negociações de sindicatos (defensores de ideologias e não de trabalhadores), se não buscarem inovar a forma como produzem e entregam seus produtos e serviços, ou se não modificarem a cultura de suas equipes no sentido de quebrarem paradigmas estabelecidos e acreditarem que a mudança é que traz segurança e não a tranquilidade.

Inovação, eficiência e produtividade só existem com planejamento e mudança!

Kleber B. Ziede – Economista e Sócio da KMZ Associados


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Alunos do século 21

Tem se falado inúmeras vezes do baixo rendimento dos alunos no índice do Ideb, da falta de vontade dos estudantes que frequentam as aulas, da formação de professores e da infraestrutura das escolas. Será que realmente os municípios e o Estado querem mudar isto? Há anos trabalho com educação e vejo um comodismo por parte de alguns. Atualmente, os alunos participam de redes sociais, têm celulares com os quais produzem vídeos, fotos e, por vezes, publicam em sites. Escrevem mensagens, jogam e se comunicam com seus pares. Estes, diga-se de passagem, são os mesmos alunos que pelo índice do Ideb não sabem português, matemática… e por aí afora.
O que será que está acontecendo? Por que não aproveitar todo esse potencial para a educação? Tenho ministrado aulas na Pedagogia e escuto de muitas alunas “para que aprender a usar o computador se na maioria das escolas o laboratório de informática está fechado há anos e as máquinas estão ficando sucateadas, não podendo ser utilizadas, pois as diretoras não deixam”. Será que a administração pública não sabe disso? De que adianta, no período eleitoral, os candidatos dizerem que vão melhorar o ensino público, se os anos passam e nada acontece?
Se houvesse um maior número de professores que trabalhassem com os alunos nos laboratórios, com ambientes virtuais de aprendizagem (blogs, wikis e outros), com simulações e com projetos de aprendizagem, nos quais os alunos desenvolvem inúmeras competências, certamente teríamos melhores resultados. O que é bem diferente de ter um estagiário ligando e desligando os computadores e colocando jogos para “distrair os alunos”. Os jogos são importantes, mas quando associados à proposta que o professor está desenvolvendo com seus alunos. O papel do professor é fundamental para a inovação, pois não adianta usar a tecnologia sem uma mudança na metodologia. É difícil trabalhar inovação na formação de futuros professores quando eles sabem que o futuro não acontecerá de forma inovadora, que a escola vive no passado repetindo ano após ano a mesma coisa.
Estamos no tempo do filme O Nome da Rosa, de Umberto Eco, no qual só alguns monges tinham acesso ao grande acervo da biblioteca devido às relíquias que os livros continham. Do mesmo modo, estamos com os computadores guardados nos laboratórios impedindo o acesso à informação, ao conhecimento e às novas aprendizagens.
Afinal, vivemos em qual século?

Mariangela Ziede

Doutora em Educação

Artigo publicado na Zero Hora  do dia 03 de setembro de 2012


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Por que os empresários brasileiros planejam pouco?

Quando lemos as notícias e matérias sobre o sucesso e o fracasso das empresas em tempos de crise, nos perguntamos como algumas empresas se destacam e obtém resultados diferenciados, enquanto a maioria reclama do governo, da carga tributária e dos altos custos. Parte da resposta está no processo de gestão dessas empresas e nas práticas adotadas, dentre elas a prática do planejamento.  São diversos os motivos pelos quais os empresários não utilizam técnicas de planejamento em seus negócios: o desconhecimento sobre o tema; a falta de cultura gerencial e de formação e habilidade para conduzir o processo; a falta de recursos financeiros para investir em profissionais com essa capacitação; a informalidade de sua organização, a descrença de que planejar é útil (por incrível que pareça) e por ai afora. O planejamento estratégico, tático ou operacional, é uma poderosa ferramenta de gestão para que empresas de qualquer porte possam avaliar seus negócios, suas estruturas, suas práticas e identificar caminhos, meios ou recursos para se tornarem mais eficientes e rentáveis, para expandir suas operações ou para desenvolver novos serviços e produtos. O uso de práticas de gestão como esta pode significar a grande diferença entre o sucesso e o fracasso nos momentos de reestruturação ou recuperação do negócio e uma poderosa ferramenta de transformação, alinhamento de equipes e de descoberta de novas ideias e soluções. Ou seja, contribui além de tudo para o processo de inovação na empresa. A prática do planejamento, quando implementada e mantida de forma permanente e renovada na empresa, é capaz de contribuir com a geração de ciclos de crescimento ou de aprimoramento da produtividade e rentabilidade, pois cria as condições para que os gestores tenham uma visão e possam trabalhar a empresa no longo prazo em todos os seus aspectos. Contribui para a capacitação das equipes, e para a ampliação e fidelização de clientes e mercados. Ao longo de 16 anos de atividades na área de consultoria empresarial, os trabalhos de planejamento estratégico tem sido os mais demandados em nossa empresa, e os resultados obtidos pelos clientes atestam a máxima de que… “planejamento, trabalho e atenção aos detalhes, são o segredo do sucesso”!

Kleber B. Ziede – Economista Sócio da KMZ Associados


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2015 – Ano de Transição?

A economia mundial passa por uma fase de acomodação.
Para os países europeus e Estados Unidos, por exemplo, essa acomodação acontece em forma de uma lenta e discreta retomada da economia e da redução da percepção de risco para Portugal, Espanha e Grécia. A Alemanha continua impulsionando a atividade industrial e influenciando as decisões do bloco.
Para os países latino-americanos e integrantes do BRICA, especialmente a China, essa acomodação vem na forma de um crescimento menos robusto, com taxas em torno de 7,5%, suficientes para reduzir a demanda global por commodities minerais, bem como outras matérias primas. O reflexo disso é uma menor demanda de importação de outros países.
Para o Brasil, no entanto, essa acomodação reduziu não apenas o volume das trocas internacionais, a nosso desfavor, como impactou no câmbio face ao menor fluxo de recursos externos e obrigou o Banco Central a elevar a taxa de juros por conta da elevação da inflação. Essa inflação, pelo seu lado, é fruto da combinação de aumento de renda e de consumo, de desestímulo à indústria nacional e de ampliação das importações de toda ordem, exceto daquilo que não se produz em quantidade necessária para equilibrar a demanda e segurar a inflação. Isto por que, nos últimos anos o governo incentivou o consumo interno, com juros baixos e ampla oferta de crédito, em especial por meio dos agentes financeiros públicos, Banco do Brasil e Caixa, ampliando inclusive a sua fatia de mercado frente aos bancos privados.
Ou seja, hoje voltamos a um nível de crescimento inferior ao da média histórica, em razão da acomodação dos mercados e da percepção de que o Brasil não fez os investimentos e as reformas na economia que deveria ter feito. Ao contrário, ampliou-se a presença do Estado brasileiro. Incluindo o Bolsa Família, hoje um de cada três brasileiros tem sua renda, de alguma forma, dependente do Estado.
Em razão apenas desses fatores, o ano de 2013 e 2014 trouxeram um novo componente ao cenário nacional, que é a percepção de uma ampla gama da sociedade esclarecida, de que o cenário no Brasil vem se deteriorando face às reformas que não foram feitas e do enfraquecimento do mercado de trabalho que se avizinha. Há também uma clara insatisfação com as instituições políticas e judiciárias. As únicas instituições que parecem apresentar crescentes ganhos de produtividade são as de fiscalização e de arrecadação de tributos.
Esse cenário explica, se não no todo, mas em boa parte, o sentimento de insegurança dos empresários em investir.
Por ser um ano eleitoral então, as decisões de investir, contratar e comprar vão aguardar o desfecho das urnas. O intervencionismo na Petrobras foi um duro golpe para os brasileiros que acreditaram e investiram em suas ações e também para aqueles que simplesmente se orgulhavam dela.
Felizmente o agronegócio está ai para mostrar que recordes de produção e ganhos expressivos de produtividade são possíveis com trabalho, investimento e dedicação.
Creio que essas três palavras devem se sobressair em toda esta reflexão.
Temos que continuar investindo no lado bom do mercado e do trabalho e agir com critério e sabedoria em nossas decisões empresariais e políticas.
Kleber B. Ziede – Economista e Sócio da KMZ Associados – 28/05/2014