KMZ ASSOCIADOS

por Kleber B. Ziede


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Redução dos juros exige novas estratégias e reposicionamento das empresas

A redução das taxas de juros no mercado americano anunciada neste mês de junho pelo FED, aliada às declarações do presidente do Banco Central Europeu de que o enfraquecimento da economia global vai requerer medidas semelhantes no velho continente, abre espaço para que o Copom – Comitê de Política Monetária inicie, finalmente, uma redução gradual na taxa SELIC, podendo, segundo analistas de bancos estrangeiros encerrar o ano de 2019 entre 5,50% e 5,00%.

O Copom já havia reconhecido em seu último boletim o enfraquecimento da atividade economia brasileira, porém estava condicionando um possível corte nas taxas de juros à aprovação da reforma da previdência.

Segundo analistas políticos, os movimentos mais intensos para aprovação do relatório na Câmara dos Deputados até meados de julho, antes do recesso parlamentar, sinaliza a possibilidade de o Copom reduzir a taxa básica de juros para 6,00% na próxima reunião que deverá ocorrer no final do mês de julho.

Este movimento já está sendo precificado pela Bolsa de Valores, tendo superado os 102 mil pontos nesta semana.

Esta possível redução nas taxas de juros já neste mês julho pode ser o segundo mais importante fator para impulsionar a economia brasileira a partir do segundo semestre, beneficiando setores que são grandes geradores de emprego, como o da construção civil, o de infraestrutura e o de logística.

Também devem ser beneficiados os investimentos de maior risco, como em ações, fundos multimercados, além de incentivar um maior afluxo de recursos externos no curto e médio prazos.

Será benéfico inclusive para os projetos de privatização do Governo Federal e de alguns governos estaduais, na media em que os grandes interessados podem ser empresas estrangeiras. Poderá igualmente estimular empresas nacionais a retirarem da gaveta os seus projetos de lançamento de ações.

Por fim, não menos importante, irá reduzir proporcionalmente o custo de rolagem da dívida pública brasileira.

O segmento da construção civil voltado para a moradia popular, por meio do programa Minha Casa Minha Vida, continua com uma forte demanda em nível nacional e deverá receber mais recursos e uma nova roupagem, de acordo com declarações do próprio governo, se demonstrando uma alternativa importante de crescimento.

O segmento de logística deverá ter um bom aquecimento, a partir de um maior consumo e uma maior demanda por reposição e reforço nos estoques da indústria e do comércio.

Todos estes movimentos exigem das empresas que pretendem investir uma revisão das suas estratégias de gestão de recursos e um posicionamento em relação aos seus planos de investimentos e de aquisições.

Há muitas empresas com projetos já engatilhados, aguardando apenas o momento mais favorável para investirem, que pode ocorrer com a esperada redução de juros.

Nos últimos anos o modelo de crescimento da economia brasileira foi alicerçado nos gastos das famílias e nos gastos do Governo Federal.  Este modelo se esgotou.

Por um lado as famílias estão ainda muito endividadas, por outro o nível de desemprego é preocupante, gerando muita insegurança e desestimulando a quem está empregado assumir compromissos de longo prazo. É preciso elevar o nível de confiança por meio da geração de empregos.

O Governo Federal não dispõe de recursos para investimentos e, mesmo com a aprovação da reforma da previdência, levará um tempo considerável até dispor de recursos para tal.

Logo, a equação para estimular concretamente a economia passa pela redução das taxas de juros.

O Brasil não pode mais esperar!

Kleber B. Ziede, economista e sócio da KMZ Associados


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2015 – Ano de Transição?

A economia mundial passa por uma fase de acomodação.
Para os países europeus e Estados Unidos, por exemplo, essa acomodação acontece em forma de uma lenta e discreta retomada da economia e da redução da percepção de risco para Portugal, Espanha e Grécia. A Alemanha continua impulsionando a atividade industrial e influenciando as decisões do bloco.
Para os países latino-americanos e integrantes do BRICA, especialmente a China, essa acomodação vem na forma de um crescimento menos robusto, com taxas em torno de 7,5%, suficientes para reduzir a demanda global por commodities minerais, bem como outras matérias primas. O reflexo disso é uma menor demanda de importação de outros países.
Para o Brasil, no entanto, essa acomodação reduziu não apenas o volume das trocas internacionais, a nosso desfavor, como impactou no câmbio face ao menor fluxo de recursos externos e obrigou o Banco Central a elevar a taxa de juros por conta da elevação da inflação. Essa inflação, pelo seu lado, é fruto da combinação de aumento de renda e de consumo, de desestímulo à indústria nacional e de ampliação das importações de toda ordem, exceto daquilo que não se produz em quantidade necessária para equilibrar a demanda e segurar a inflação. Isto por que, nos últimos anos o governo incentivou o consumo interno, com juros baixos e ampla oferta de crédito, em especial por meio dos agentes financeiros públicos, Banco do Brasil e Caixa, ampliando inclusive a sua fatia de mercado frente aos bancos privados.
Ou seja, hoje voltamos a um nível de crescimento inferior ao da média histórica, em razão da acomodação dos mercados e da percepção de que o Brasil não fez os investimentos e as reformas na economia que deveria ter feito. Ao contrário, ampliou-se a presença do Estado brasileiro. Incluindo o Bolsa Família, hoje um de cada três brasileiros tem sua renda, de alguma forma, dependente do Estado.
Em razão apenas desses fatores, o ano de 2013 e 2014 trouxeram um novo componente ao cenário nacional, que é a percepção de uma ampla gama da sociedade esclarecida, de que o cenário no Brasil vem se deteriorando face às reformas que não foram feitas e do enfraquecimento do mercado de trabalho que se avizinha. Há também uma clara insatisfação com as instituições políticas e judiciárias. As únicas instituições que parecem apresentar crescentes ganhos de produtividade são as de fiscalização e de arrecadação de tributos.
Esse cenário explica, se não no todo, mas em boa parte, o sentimento de insegurança dos empresários em investir.
Por ser um ano eleitoral então, as decisões de investir, contratar e comprar vão aguardar o desfecho das urnas. O intervencionismo na Petrobras foi um duro golpe para os brasileiros que acreditaram e investiram em suas ações e também para aqueles que simplesmente se orgulhavam dela.
Felizmente o agronegócio está ai para mostrar que recordes de produção e ganhos expressivos de produtividade são possíveis com trabalho, investimento e dedicação.
Creio que essas três palavras devem se sobressair em toda esta reflexão.
Temos que continuar investindo no lado bom do mercado e do trabalho e agir com critério e sabedoria em nossas decisões empresariais e políticas.
Kleber B. Ziede – Economista e Sócio da KMZ Associados – 28/05/2014